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Lucinda Pinto De São Paulo

A deterioração do nível de confiança na economia, observada nos últimos meses, é um fenômeno típico dos anos de eleições. E, como aconteceu em outros anos de disputa eleitoral, deve ser revertida assim que houver definição do próximo presidente. Essa é a avaliação do ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa, que participou ontem de curso promovido pela Associação Keynesiana Brasileira (AKB), na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

Ele lembra que a queda da confiança afeta o desempenho da atividade, mas que haverá recuperação. A questão é em que velocidade isso ocorrerá. O economista afirmou que a economia brasileira tipicamente se recupera rapidamente após os efeitos de choques. Isso aconteceu, por exemplo, em 2010 e deve ocorrer também a partir de 2015. Barbosa traça um cenário em que, em uma situação mais extrema, os ajustes esperados de preços administrados sejam feitos de uma vez, a inflação dispararia para 7,5% e o crescimento do PIB ficaria em 1%.

No ano seguinte, a inflação cederia para 6,45%e, em 2017, para 4,5%. já o Pl8 avançaria a taxas de, respectivamente, 4%e 3%. “Hoje, a inflação esperada está alta, porque os preços administrados continuam represados. Assim que eles forem corrigidos, a inflação corrente dispara, mas a expectativa cai”. O ajuste, diz Barbosa, já começou. Mas, enquanto não for completado, a inflação corrente ficará relativamente alta. “Foi o que aconteceu em 2003 e em 2009”, acrescentou. O economista avaliou ainda que o nível do estoque de contratos de swap cambial ofertados pelo Banco Central (BC) pode estar perto do “adequado”. Ele diz que não há um consenso sobre qual é o ponto ótimo para a oferta desse instrumento, utilizado como proteção contra a variação cambial. Para o economista, no entanto, a discussão sobre a questão da distribuição de renda ganha grande relevância e deve ser alvo importante no próximo governo. “A grande questão está se deslocando para o conflito da distribuição pessoal da renda: quem paga imposto, quem recebe, para onde vai o imposto do governo”, diz Na avaliação dele, há um claro sinal por parte da população de que o modelo de Estado mínimo não é o mais desejável “As demandas sociais já demonstraram que o espaço fiscal deve ser canalizado para transferência de renda”, conclui