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Algumas das principais preocupações dos economistas para os próximos anos são de que forma o Brasil irá poupar para conseguir realizar investimentos em setores impo… SÃO PAULO

Algumas das principais preocupações dos economistas para os próximos anos são de que forma o Brasil irá poupar para conseguir realizar investimentos em setores importantes e como irá controlar o processo inflacionário.

Em entrevista ao DCI, o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Fábio Terra, opina que a política monetária de regime de metas de inflação, sozinha, não é suficiente para estabilizar os preços. “A inflação tem muitas causas e somente um instrumento para controlá-la não é suficiente. É preciso que política monetária estabeleça novos instrumentos que a auxiliem”, ressalta.

“Precisamos de políticas de restrição sobre o crédito e também estimular investimento para que tenhamos redução dos custos de produção. Além disso, é necessário terminar – e para a nossa sorte isso irá acontecer – com a indexação automática dos salários com a inflação, porque isso é um problema sério para a economia brasileira”, complementa Terra, ressaltando que a indexação gera um círculo vicioso, retroalimentando a inflação.

“O desafio para o próximo governo, portanto, é conseguir convencer a sociedade brasileira de que a inflação tem varias motivações e que essas podem ser evitadas, desde que nós estejamos dispostos a investir produtivamente e controlar a inflação a médio prazo”, diz Terra. “Se o governo conseguir passar bem essa mensagem para a sociedade, as pessoas irão ficar mais calmas em relação à inflação. E isso ajuda para que a inflação se contenha, já que também é uma questão de expectativa”, complementa.

Poupança

Para o professor da Fundação Getulio Vargas ( FGV ), Fernando de Holanda Barbosa, uma das formas de promover o crescimento do País é aumentar o nível de poupança. “Aumentando a poupança do Brasil, nós resolvemos diversos dilemas, como problemas da indústria, dos juros, entre outros”, afirma ele em palestra realizada pela FGV e pela Associação Keynesiana Brasileira (AKB), ontem, em São Paulo.

Barbosa exemplificou com o crescimento de países no continente asiático, impulsionado pela formação forçada de poupança. “O Brasil teve poupança forçada na década de 1960. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço [FGTS] era 8% da força de salário. O imposto era associado com investimentos em energia, estradas e nas telecomunicações”, relembra Barbosa no evento.

“Precisamos voltar a ter impostos que estejam ligados aos investimentos”, finaliza ele.

Sobre essa questão, o professor da UFU, questionado pelo DCI afirma que, em sua opinião, a poupança é resultado de investimento. “Todo investimento é uma passagem de renda de A para B. B que recebe renda de A decide se vai consumir e poupar”, explica Terra.

“Nesse sentido, acredito que o que é fundamental no Brasil é ter boas expectativas, porque, dessa forma, o investidor é estimulado a fazer investimentos, podendo utilizar recursos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] ou utilizando outra forma de captação no mercado de capitais” afirma o professor.

Sobre o caso asiático, Terra comenta que o modelo chinês é difícil de ser comentado, por ser diferente do resto do mundo. Além disso, elenca alguns fatores da poupança forçada ter dado certo nesse país, como a ausência de fundos de previdência e bancos dependentes do Banco Central

Sobre o Japão, Terra comenta que o nível elevado de poupança nesse país é resultado de grandes investimentos norte-americanos que foram realizados em sua reconstrução.

Gastos públicos

Na atividade da FGV , o economista Samuel Pessoa comentou que os benefícios sociais implementados nos últimos anos tem impacto em cinco ponto percentual nos gastos públicos.

Já o economista José Luís Oreiro defendeu uma política de moderação salarial como forma de reduzir as pressões inflacionárias sem elevação da taxa de desemprego. “A única maneira que eu vejo para mudar esse cenário é uma política negociada de rendas entre empresários, sindicatos e governos. É preciso sentar e conversar para estabelecer mecanismos de comum acordo de moderação salarial”, afirma Oreiro.

“Sem essa alternativa, o BC terá que subir os juros até que a taxa de desemprego comece a aumentar. Nesse caso, teremos uma moderação salarial realizada pela força, que é quando os sindicatos não tem mais poder de barganha”.

O economista Nelson Barbosa esteve no evento da FGV na última quarta-feira, onde ministrou um curso sobre crescimento e distribuição de renda.