Antonio Carlos Macedo e Silva

(Instituto de Economia – Unicamp)

 

Boa noite. Apresentações orais não vêm com epígrafe: no ar não se grafa nada. Este é, porém, um encontro heterodoxo e, amparado nessa duvidosa desculpa, começo minha apresentação com uma epígrafe. É uma frase de George Mallory, que fez Cambridge mas não estudou economia e sim história, e que não era historiador e sim montanhista. A frase é simplesmente: “Because it’s there”. “Porque está lá”. Mallory se referia ao Everest. Foi assim que respondeu, em 1923, à pergunta de um repórter, que queria saber por que razão ele insistia em tentar o impossível…

 

Fomos três os escalados para compor essa mesa, em homenagem ao professor Mario Luiz Possas.

Dos três, não sei se pelos azares da ordem alfabética ou pelos rigores da cronologia – provavelmente a do ano de nascimento – fui escolhido para abrir a sessão. De fato, tive meu primeiro curso com o Mario, na graduação, em 1979. Tornei-me colega em 1983 e orientando de doutorado em algum momento indeterminado entre o final dos anos 1980 e o início dos 90, sempre na Unicamp. A Esther e eu, aliás, estamos entre os 38 orientandos (apenas de doutorado, 68 com os de mestrado) que o Mario teve até aqui.

Fomos três os escalados… e somos poucos. Somos parecidos: três macroeconomistas keynesianos. Isso é apropriado a uma homenagem na AKB, mas fica muito aquém do necessário a um tributo compatível com a amplitude da contribuição do Mario. Porque ele não é só um macroeconomista (eu pelo menos sou só isso, e olhe lá); é também. É também, mas não só, um economista keynesiano, e com justiça ele está entre os patronos da AKB. Mas o keynesianismo do Mario é um keynesianismo que vai muito além de Keynes ou, se preferirem, leva o Keynes a lugares que ele nunca pretendeu ou imaginou visitar…

Minha situação incidental de decano, porém, pode ser útil para tentar explicar um pouco a origem dessa amplitude. E essa explicação, espero, tem um interesse para além do arqueológico; tem um interesse contemporâneo porque fala de uma proposta viva – fala do que para mim ainda é (ou devia ser) o graal do economista heterodoxo.

Mas começo mesmo pela arqueologia. Começo por dizer que, no final dos anos 70, era o caos: o caos primordial da moderna heterodoxia brasileira. Esse caos, para boa parte dos economistas heterodoxos e progressistas brasileiros, tinha um nome, e esse nome era Campinas, onde havia uma instituição e talvez houvesse uma “escola”. Se havia, era, no essencial, um esforço para pensar o desenvolvimento brasileiro. Para isso, fora o inevitável diálogo com a Cepal, com a teoria da Dependência e com a historiografia nacional, valia tudo que, em Economia, fosse heterodoxo, e não valia nada que não fosse. Naquela época, em Campinas, lia-se muito Marx, e com sofreguidão; lia-se Kalecki (e Steindl), com entusiasmo; lia-se Schumpeter, mas com parcimônia; lia-se Keynes, com interesse, mas com perplexidade e… desconfiança. Claro: Keynes queria salvar um capitalismo cuja superação, naquele tempo, parecia ao alcance da mão.

Tínhamos uma escola de pensamento? Talvez, se a “escola” fosse definida pela maneira de pensar o Brasil. Éramos uma “escola” de teoria econômica? Creio que não. Havia uma abertura e um ecletismo raros e saudáveis. Faltavam articulação e rigor. Faltava uma visão explícita e programática – ou paradigmática – sobre quais os objetos prioritários, os problemas relevantes e os métodos adequados.

Vale lembrar que, no exterior, textos fundamentais para a heterodoxia moderna ou haviam sido publicados há pouco (e como custavam a chegar ao Brasil!), ou ainda estavam por sair. Penso nos textos que fundam o pós keynesianismo na sua vertente americana (Davidson e Minsky), a visão do crescimento com restrição externa (Thirlwall), a abordagem neo- kaleckiana (Rowthorn).

Foi nesse contexto que o Mario resolveu escalar uma montanha… que não estava lá. Mais do que isso: resolveu escalar essa montanha porque ela não estava lá, mas devia. A inexistência da montanha era o primeiro obstáculo. Para escalar uma montanha tão incontornável quanto inexistente, é preciso primeiro edificá-la.

Essa montanha tomou inicialmente a forma de uma tese de doutoramento intitulada Dinâmica e Ciclo Econômico em Oligopólio, de 1983. A tese, com 1402 páginas, é em parte uma cartografia erudita e rigorosa que cobre tudo que julgávamos relevante nas áreas de macro, micro e economia marxista. Talvez por ser também um survey, o Mario escolheu, como uma de suas epígrafes, um trecho um pouco sombrio (mas consistente com uma ciência dismal) de um dos quartetos de T.S. Elliot. Essa é também a epígrafe de um dos três livros que saíram da tese (o livro “macro”, digamos, Dinâmica da Economia Capitalista: uma abordagem teórica). Esse trecho diz:

“E o que há por conquistar,

por força e submissão, foi já obtido,

uma ou duas, ou várias vezes, por homens que não temos a esperança

de emular. Mas não há concorrência.

Há só a luta para reaver o que se perdeu

E se encontrou e se perdeu de novo e outra vez mais; e agora, em condições que não parecem favoráveis. Mas, talvez, nem ganho, nem perda.

Para nós, há só a tentativa. O resto não é conosco.”

 

Para mim, a epígrafe modesta esconde a ousadia da proposta e da realização. Como em qualquer outro survey, os autores são descritos, interpretados e explicados. Mas o texto vai mais longe: tritura, macera, mistura; combina, fermenta e destila. Porque a operação inteira responde a um propósito central: extrair de cada autor o que possa ser útil à construção de uma abordagem à teoria econômica em que só uma coisa interessa: a dinâmica. Toda a dinâmica, em seus vários níveis de agregação e em suas várias formas. Toda a dinâmica, quer dizer, que não pressupõe um estado final, e está, portanto, aberta para a história.

Para além da síntese, da reconquista do que se descobriu e inventou, se perdeu e se encontrou e se perdeu de novo, a obra do Mario constrói uma perspectiva nova para  as noções que são parte da caixa de ferramentas básica do economista: micro e macro, curto e longo prazos, ciclo e tendência.

O tema da relação entre ciclo e tendência vai ser retomado pelo Oreiro. Aqui vou só insistir na proposição, apresentada na tese, de que ciclo e tendência, com instabilidade e crise, são quatro “instâncias ou formas de abordagem” da dinâmica. A ideia de que, sendo o futuro incerto, as decisões dos agentes (entre as quais, em particular, as decisões de investir) podem mudar de forma brusca e imprevista, é associada pelo Mario à noção de instabilidade – ou instabilidade potencial. Esse potencial se atualiza, de forma especialmente dramática, nas crises, quando os agentes deixam de acreditar nas suas teorias práticas (e provisórias) do futuro. Mas, como o próprio Keynes reconhece no capítulo 18 da Teoria Geral, o capitalismo não é tão instável como o capítulo 12 poderia sugerir. Mario recusa o argumento – que considera niilista e, agrego eu, self-defeating para a heterodoxia – de que a presença da incerteza radical torna vã a reflexão teórica sobre os movimentos de mais longo prazo e inútil a elaboração de modelos formais.

Num dos artigos que derivam da tese, publicado na PPE em 1984, o Mario mostra o que vê do alto da sua montanha em construção: um modelo multi-setorial que é micro e macro, que abrange a dinâmica do ciclo e a do crescimento, e cuja complexidade sugere a necessidade do recurso à simulação numérica por computador. Esse modelo e o tema da relação micro-macro serão também retomados, mas pela Esther. Só queria ressaltar que, na perspectiva do Mario, macroeconomia não é a face da lua para onde vamos quando queremos tratar de agregados. Micro e macro, e aqui cito um artigo do Mario de 1993 (Racionalidade e regularidades: rumo a uma integração micro-macrodinâmica, p. 59), são “dois momentos de um único processo dinâmico que constitui o cerne da ciência econômica: (…) os momentos, distintos lógica e temporalmente, das decisões dos agentes e de seus efeitos (involuntários) supraindividuais, qualquer que seja o nível de agregação adotado”.

Noutros termos, a macro começa muito antes do ponto onde, para Keynes, ela parecia começar. Na Teoria Geral, há uma urgência e uma ansiedade da agregação, que vêm junto com a desatenção aos microfundamentos e o desterro dos “detalhes” monetários e financeiros.  Entretanto, os microfundamentos estão – em certa medida – lá mesmo, dispersos, implícitos e mesmo despercebidos. O resgate desses microfundamentos permite ao Mario derivar do caráter monetário da economia capitalista o princípio da demanda efetiva, como uma proposição elementar (mas essencial) que prescinde não só de qualquer agregação como também de qualquer noção de equilíbrio. Permite a ele articular a incerteza e as convenções, do capítulo 12, a correlação entre escassez e rentabilidade, aventada no capítulo 11 e retomada no capítulo 16, com os rudimentos de uma teoria da aplicação de capital do capítulo 17.

Na perspectiva do Mario, porém, os microfundamentos keynesianos não são suficientes. Não só porque é necessário acrescentar à incerteza keynesiana a ideia de complexidade, que por sua vez aponta para o caráter limitado (e procedimental) da racionalidade dos agentes, à la Simon. Não só porque é necessário introduzir a formação de preços pela regra de mark up. O problema é a insuficiência de uma teoria que considera dado o “grau de concorrência”, como diz Keynes no capítulo 18. A alternativa proposta vai além do atalho macro que é a lei de Kaldor-Verdoorn, e busca integrar os micro-fundamentos da inovação à análise macroeconômica de corte keynesiano, proposta que o neo-schumpeterianismo heterodoxo (que, aliás, também estava nascendo, no período), levaria ainda alguns anos para encarar.

Essa visão da dinâmica tem implicações importantes para a relação entre curto e longo prazos. Implica, em primeiro lugar, o que já mencionei de passagem, a ideia de que o longo prazo, por assim dizer, existe. Implica a ideia de que os pós-keynesianos não estamos, no nosso esforço teórico, obrigados a viver num eterno agora. Naturalmente, quem vive só no aqui e no agora, digamos, como um pós-keynesiano zen, se priva de instrumentos para escolher entre cenários possíveis e, por conseguinte, restringe enormemente sua capacidade de atuar como policy maker.

A visão implica, em segundo lugar, que esse longo prazo não existe independentemente do aqui e do agora (como em certas interpretações marxistas ou sraffianas). Como queria Kalecki (1968), ele só existe como o resultado de uma “cadeia de situações de curto prazo”.

Implica, em terceiro lugar, que as decisões tomadas e os desequilíbrios ocorridos durante cada um desses elos podem suscitar efeitos persistentes, cruciais. Isso inclui as decisões tomadas com base nas expectativas de curto prazo. Esta perspectiva, então, de certa forma engloba o graal pós-keynesiano, tal como formulado por Kregel em 1976, no seu artigo clássico sobre metodologia e incerteza. Esse graal, cuja centralidade também é reconhecida por Cardim (1984/1985), é o estudo do “shifting equilibrium” (equilíbrio móvel), no qual as diferenças entre ex ante e ex post podem deslocar o ponto de demanda efetiva (entendido, na muito discutível definição de Keynes em Ex ante/ex post, como o ponto no qual as expectativas de curto prazo são confirmadas pelos mercados).

Engloba o shifting equilibrium, eu disse, porque vai além, uma vez que a firma que o Mario quer retratar como principal agente da dinâmica capitalista opera num mundo onde a inovação (que não cai do céu, mas também reflete decisões tomadas pelas empresas) é a principal arma da concorrência.

Eu disse também que engloba, de certa forma. Não sei se o Mario não preferiria dizer: “passa ao largo”. Passa ao largo, de um lado, porque, para ele, “o enfoque multissetorial é analiticamente mais adequado” (1993: 72) para tratar de questões macroeconômicas, por razões que a Esther talvez aborde. De outro, por causa do recurso – sempre suspeito, para o Mario – à noção de equilíbrio. Claro, todo pós-keynesiano sabe que o ponto de demanda efetiva não é um ponto, mas um vetor. Mas então, diria (talvez) o Mario, por que não levar isso a sério e tratá-lo efetivamente como um vetor? Quando se faz isso, por sinal, fica muito mais evidente do que num modelo de um só bem o tamanho do esforço de imaginação necessário à hipótese de que as expectativas de curto prazo são satisfeitas.

Em 1993 (p. 77), o Mario escreve que “levando o argumento de Keynes às suas últimas consequências, sua teoria é totalmente incompatível, em termos metodológicos, com qualquer hipótese de equilíbrio”. Para o Mario, “a noção de equilíbrio” é o “verdadeiro ‘obstáculo epistemológico’ à afirmação de uma teoria dinâmica de base pós-keynesiana” e define o que é, talvez, “a divergência teórico-metodológica fundamental em relação aos modelos do mainstream” (Elementos para uma integração micro-macrodinâmica na teoria do desenvolvimento econômico, 2002: 127).

Minhas últimas considerações dizem respeito a essas duas questões. Uma é a afiação da navalha (de Occam): quão parcimoniosos podem ser modelos heterodoxos, digamos, decentes? A segunda é: será que existem usos da noção de equilíbrio que sejam consistentes com a visão dinâmica do Mario?

Minhas respostas, que, a meu juízo, vão entrar em choque de forma apenas aparente com essa visão (mas o Mario está aí para, se o tempo permitir e ele tiver vontade, confirmar ou negar), são as seguintes: 1. Modelos heterodoxos decentes podem ser até muito parcimoniosos. 2. O uso da noção de equilíbrio – e mesmo a adoção da hipótese de que certos mercados estão em equilíbrio – não é incompatível com essa visão dinâmica.

No campo heterodoxo, talvez não haja modelo mais parcimonioso do que o modelo de crescimento com restrição externa de Thirlwall. Na versão básica, o modelo vem sem microfundamentos, sem governo e sem funções investimento e consumo; vem só com exportações e importações, ainda por cima amarradas à hipótese de que no longo prazo elas são iguais.

Um trabalho que orientei, do Caio Mazzi, adaptou esse modelo à metodologia stock-flow consistent. Por que fazer isso? Porque a metodologia stock-flow consistent (ou SFC) impõe uma disciplina sobre os modelos, exigindo que sejam completamente especificados. O modelo de Thirlwall não atende esse requisito. Aliás, o modelo (literário) de Keynes, no capítulo 18 da Teoria Geral, tampouco: “a” taxa de juros remunera um ativo indeterminado; não se conhecem o emissor, o valor do estoque e seus proprietários; portanto, não se sabe o valor dos pagamentos de juros nem a quem se destinam; não se sabe que setores, a cada período, têm saldo financeiro negativo e emitem novos passivos, e que setores, com saldo financeiro positivo, adquirem esses títulos.

Modelos incompletos correm o sério risco de ser inconsistentes ou serem usados de forma inconsistente.

Pois bem. Submetemos o modelo de Thirlwall à disciplina SFC… e isso não fez a menor diferença. O crescimento da economia sempre tende àquele previsto pela lei de Thirlwall.

O que isso prova? Sugere, ao menos, a robustez do insight original: as economias não podem incorrer em déficits e acumular passivos externos ilimitados; bonanças externas tendem a ser aproveitadas para a promoção do crescimento. Mas isso, é claro, não esgota a dinâmica. O modelo de Thirlwall, por construção, é inútil para discutir outros fenômenos relevantes, como, por exemplo, uma dinâmica minskyana na qual as firmas (ou o governo, ou as famílias) acumulam dívidas (que não precisam ser externas) até que sobrevém uma crise financeira. Ou, num outro exemplo, uma trajetória em que uma crise da dívida externa gera uma década perdida e afeta gastos privados e governamentais tendo, entre outras consequências, uma mudança perversa das elasticidades das exportações e das importações. “Hourses for courses”, diz Harcourt, acerca da escolha do modelo. Como os cavalos, modelos podem ser bons para algumas empreitadas e muito ruins para outras; também podem não servir para nada, como muitos modelos neoclássicos.

Modelos SFC, na maior parte dos casos, não são multissetoriais e supõem que as expectativas de curto prazo são satisfeitas. Isso os limita, mas não necessariamente os inutiliza. Supor equilíbrio de curto prazo não equivale, é óbvio, à ideia novo-clássica de que os mercados sempre clear, sendo o equilíbrio uma mera expressão da racionalidade dos agentes; não implica necessariamente a proposição de que os desequilíbrios são irrelevantes, porque desimportantes em si mesmos ou porque num período de tempo relativamente curto as firmas (como parece acreditar Keynes; carta a Hawtrey, XIV: 27) descobrem a verdadeira posição do ponto de demanda efetiva. A despeito dessas e de outras limitações, como, por exemplo, a hipótese de produtividade constante, também frequentemente utilizada, esses modelos, a meu ver, tem sido úteis. Como para muitos outros modelos, sua “decência” ou “indecência” não deriva apenas da sua natureza, mas também do seu uso.  Nenhum praticante interpretaria o steady state de um modelo SFC – no caso em que ele exista e a economia convirja para ele – como uma situação ótima ou como uma expressão da natureza mais profunda dessa economia e à qual ela necessariamente tende no mundo real. Por outro lado, explosões são intrinsecamente interessantes (como bem mostra Hollywood). Modelos que supõem alguns equilíbrios são compatíveis com processos explosivos – portanto, com a visão de que, no capitalismo, desequilíbrios suscitam processos que explodem em crises ou que são revertidos a tempo, por exemplo, pela ação de instituições como o governo.

De fato, em modelos estruturalmente complexos – como os modelos de que os heterodoxos gostamos – sempre há certa diversidade de agentes e setores institucionais. Há, por exemplo, trabalhadores, rentistas, firmas e governo. É razoável e realista supor que todos esses setores tomam decisões baseados em expectativas: com relação à manutenção do emprego, à evolução dos salários, dos preços das mercadorias e dos ativos financeiros, à arrecadação tributária, etc. Se levássemos às últimas consequências a exigência de evitar a hipótese simplificadora de equilíbrio, seríamos obrigados a explicitar o modo como cada um desses agentes forma suas expectativas e como reage quando são frustradas. Mas nossa racionalidade é, justamente, limitada, e lida com dificuldade com modelos muito grandes.

A racionalidade é limitada e a “brava armada de hereges” é pequena. Não é possível exigir de cada um desses cavaleiros que persiga o graal. A alta montanha é um lugar para poucos. Há outras demandas, mais pedestres… e às vezes mais urgentes, por exemplo, do ponto de vista da política econômica.

Mas, o graal… bem, a meu ver, o graal é mesmo aquele que o Mario vislumbrou e descreveu, mesmo antes da sua tese, ainda nos anos 70, quando dizia a seus alunos de microeconomia que o que importa é a dinâmica e não o equilíbrio.

O poema do Elliot do qual o Mario extraiu sua epígrafe (um longo poema) abre com o seguinte verso: “In my beginning is my end”. “No meu início está meu fim”. Sem o menor respeito pela exegese, eu livremente me aproprio do verso, e defino “meu fim” como minha meta, meu anelo… minha meca e meu graal, e assim descrevo a trajetória do Mario.

No meu início está meu fim.

É por essa coerência. Pela clarividência. Pela insistência. Pela ousadia. Pelo rigor. Pela seriedade. Pela integridade. Pela proposta e pela criação. Pelo design e pela construção da montanha. Pela escalada e pela perspectiva do alto. É por esse conjunto de coisas que eu rendo minha homenagem ao meu professor, orientador e amigo Mario Luiz Possas.

Muito obrigado.